terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Filho do Homem vai ser entregue...

 

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Evangelho (Mc 9,30-37)

        Naquele tempo, 30Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31 pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão, mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”.    32 Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. 33 Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “Que discutíeis pelo caminho?” 34 Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. 35 Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” 36 Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: 37 “Quem acolher em meu nome uma dessas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

HOMILIA DO EVANGELHO

O Filho do Homem vai ser entregue... Se alguém quiser ser o primeiro que seja o último de todos.

         “Jesus não queria ser visto por ninguém, porque estava ensinando seus discípulos.” Jesus tinha a preocupação de ensinar os seus discípulos. A maioria do seu tempo ele dedicava à formação deles; explicava as parábolas, respondia às questões, dava bronca às vezes, tudo para ensinar.

          Veja o que diz este mesmo evangelista Marcos: “Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas, de acordo com o que podiam compreender... Mas, quando estava a sós com os discípulos, lhes explicava tudo” (Mc 4,33-34).

          O Papa Paulo VI, quando esteve em Medellin, na Colômbia, em 1968, participando da Segunda Conferência do Episcopado latino americano, disse que o futuro da Igreja da América Latina está na formação dos líderes cristãos. Hoje, quarenta e um anos depois, a formação dos líderes cristãos continua sendo importantíssima. Depois de conscientizados e preparados, os cristãos e as cristãs passam a ser fermento na massa, atuando nas pastorais, na política e nas mais variadas organizações sociais.

          Jesus era franco e claro, na formação aos discípulos. Ele não “passava mel” na boca de ninguém: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão, mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. Os discípulos não entendiam essas palavras, mas suspeitavam de algo completamente ao inverso da imagem que tinham do Messias, por isso sentiam medo.

          Em seguida, durante a caminhada, os discípulos discutiam quem era o maior. Eis aqui a melhor prova de que não tinham entendido nada mesmo. Enquanto Jesus falava de um Messias sofredor, eles discutiam quem estava acima dos outros!

          Ao ver isso, mais uma vez Jesus foi claro: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” E apresentou a criança como modelo para eles, devido à sua simplicidade e humildade.

         Que paciência a de Jesus, tentando educar seus discípulos, com tão desanimador resultado! Entretanto, essa visão triunfalista do Messias e do Reino fundado por ele era a visão do todos os judeus. Só após Pentecostes é que entenderam o “espírito da coisa”.

          Uma boa formação dos líderes cristãos ajuda-os a se aproximar dos mistérios de Deus, especialmente do mistério da cruz. E isso lhes dá a chave para entender e combater a ambição que reina na sociedade levando-a a todo tipo de pecado.

           Agora, a formação dos cristãos é um trabalho lento, que só produz fruto a longo prazo. É preciso ter paciência. Por exemplo, se perguntarmos para um líder mais velho, de quem ele aprendeu todas as coisas bonitas que sabe, ele ou ela vai citar, provavelmente, alguém que já morreu.

         “A cada um o Senhor deu sua tarefa: eu plantei, Apolo regou, mas era Deus que fazia crescer” (1Cor 3,5-6). Não podemos visar frutos imediatos na formação dos líderes; precisamos pensar longe, e não querer colher todos os frutos das sementes que lançamos.

         Existem duas maneiras de formar os líderes: a acadêmica e a informal. Esta última é dada por todos nós, em todos os lugares e momentos. É dada principalmente pelos idosos, que comunicam aos mais novos a sua longa e acumulada experiência de vida cristã.

           Deve-se dar destaque à formação dos jovens, pois eles são o nosso futuro, e são os primeiros que caem nas armadilhas da sociedade pecadora. Os jovens, devido à sua alegria e dinamismo, são a força da Comunidade cristã. Entretanto, os jovens só se tornarão Igreja quando a Igreja se tornar jovem.

          Que nós, a exemplo de Jesus, nos dediquemos mais à nossa própria formação, e passemos para os nossos irmãos e irmãs o que aprendemos.

        São Martinho nasceu em 1579, em Lima, capital do Peru. Por isso é chamado de S. Martinho de Lima. Um dia, ele queria ajudar um mendigo que pedia esmola, mas não tinha nada para lhe dar.

         Martinho sentou-se na calçada, ao lado do mendigo, e pedia esmola junto com ele, para ajudá-lo. A humildade leva os cristão a tomar atitudes inusitadas.

        Maria Santíssima é a Rainha dos formadores, pois formou humanamente o próprio Filho de Deus. Que ela nos ajude a ter sede de aprender e disposição para ensinar.

         O Filho do Homem vai ser entregue... Se alguém quiser ser o primeiro que seja o último de todos.

Padre Antonio Queiroz